Nao é o fim do mundo mas…

Ninguem gosta de perder para o Corinthians mas dentro do contexto, a derrota de ontem não é o fim do mundo. Mas mostrou tambem que o buraco é mais embaixo. Nao só o time titular como o elenco tem sérias lacunas.

Ao contrário da maioria dos blogueiros palestrinos, não achei que tenhamos dominado o 1o tempo. Tivemos uma dificuldade imensa em armar jogadas e reter a bola no ataque. Nosso gol foi mais fruto de dois talentos individuais (passe de Valdivia, chute espetacular de Assunção) do que de um domínio tático.

Os dois gols sofridos de forma idêntica mostraram que nossa defesa ainda tem sérios problemas. Contra equipes inferiores, dá para compensar mas em jogos duros como o de ontem, são erros que o adversário não perdoa. A série de substituições que Felipão tentou fazer, sem muitos resultados, deixou evidente que não temos opções de ataque para momentos de dificuldade e que o time atual depende imensamente de Daniel Carvalho, que esteve ausente. A grande diferença entre Carvalho e Validivia é o porte fisico mais avantajado de Daniel (que não sofre do cai-cai do chileno) e sua maior objetividade nos passes.

Se quiser ganhar algo este ano contra adversários fortes (que é o que nos espera no Brasileirão) penso que Felipão vai ter que arranjar um esquema que acomode tanto Carvalho como Valdivia e ainda assim dê força de marcação ao meio campo. A derrota de ontem não é o fim do mundo. Mas serviu de alerta.

Eu não dou um centavo

Com essa diretoria aí, com essa estrutura podre de clube que assola o Palmeiras, eu não dou um centavo nessa vaquinha pelo Wesley que o nosso presidente Jeca Banana inventou com o nome chic de “crowdfunding”. Quer contribuição do torcedor para pagar as contas do clube? Entao implanta eleições diretas para presidente do clube.

Não seja bobo, torcedor palmeirense. Você que já gasta com o clube, direta ou indiretamente, o seu dinheiro ganho de forma honesta no batente do dia-a-dia, você que vai aos jogos ou compra jogos pela TV, você que gasta com uniformes ou mercadorias do clube, você que apoia o time, já faz muito. Já faz sua parte.

Ao pedir dinheiro ao torcedor sem oferecer uma contra-partida que mude a estrutura do clube, a estrategia de Tirone é simples: o Tirone gasta, mas você é quem paga.

O Oeste turbinado e a geladeira do Carmona

Claro que apenas empatamos em casa com o Oeste, 14o colocado, em parte por nossa própria incompetência, mas cabem aqui duas perguntas:

  • Por que o Oeste não joga com toda essa dedicação e organização tática contra os outros adversários também? Por que, a semelhança de Lusa, Guarani, Ponte Preta, etc., só decidem fazer grandes partidas quando enfrentam o Palmeiras? Será que vão jogar tão bem assim no dia 1o de abril quando pegam os gambás em casa? Por que não jogaram turbinados daquela maneira no dia 25 de janeiro quando perderam em casa para os bambis?
  • O que o Carmona fez de tão ruim para justificar a geladeira em que o Felipão o deixou? Não é craque, mas ontem seria muito melhor opção de banco do que João Vitor, Chico, Vinicius ou Ricardo Bueno. Com Daniel Carvalho e Assunção cansados no 2o tempo, e Patrik e Marcio Araújo desastrados e fazendo suas piores partidas nos últimos tempos, o melhor que Scolari pôde fazer para tentar virar o jogo foi (novidade!) mandar João Vitor a campo. Quanto mais velho fica, mais irritante e incompreensivel Scolari se torna.

Quanto ao jogo em si, gostei das atuações de Bruno (deu mais segurança no gol que Deola) e do estreante Roman, excelente na bola aérea e no desarme, apesar de um pouco inseguro na distribuição. Inclusive quando nosso time só apanhava da marcação dura do Oeste (graças a um juiz ridiculo que nos prejudicou novamente em casa, mais um reflexo de nossa covarde politica de bastidores), foi o único que começou a revidar e bater firme também.

Maikon Leite, apesar do gol, Barcos e Cicinho, muito esforçados mas atabalhoados sobretudo com a posse de bola. Se o empate de ontem teve algum mérito, foi de alertar o elenco e o técnico que o time precisa melhorar em varios setores, principalmente no quesito de reter a bola no meio campo ao invés de ficar fazendo lançamentos longos como se fosse um timeco do campeonato inglês.

Felipão simplicou. E goleou

Em casa, contra adversário fraco, Felipão decidiu não complicar e acertou. Palmeiras 3×0 Ituano. Entrou com apenas um volante de contenção, ao lado de Patrik, Carvalho e Assunção. Dois atacantes. Escalou o que tinha de melhor. Sem medo. Partiu para cima do adversário. Muito melhor taticamente do que no jogo anterior. E ganhamos relativamente fácil.

Quem diria que iria falar isso um dia, mas a volta de Leandro Amaro, jogando ao lado do excelente Henrique, deu maior equilibrio a zaga, sobretudo no jogo aéreo.

No inicio, com o adversário entupindo o meio campo, fizemos a ligação direta para a velocidade de Maikon Leite, e aí abrimos o placar – o que deixou tudo mais fácil.

Barcos já mostrou que está um patamar bem acima comparado aos demais atacantes do time. Faz a parede de forma muito mais inteligente que Fernandão e, dentro da área, não perde gols bobos como Ricardo Bueno – vide o oportunismo do gol dele.

Quando Carvalho, discreto no meio campo mas genial com a bola no pé, cansou, Felipão também acertou ao recuperar o setor fazendo entrar João Vitor.

Percebi que Maikon Leite, excelente até os 2×0, passou a jogar de forma muito egoísta e atabalhoada quando viu que o jogo já estava garantido, e acabou até atrapalhando o time.

Os melhores em campo: Henrique, Assunção, Barcos.

Líder, porém preocupado

Já tinha sido evidente na vitória contra o Santos. O esquema de 3 volantes, que amarrou o time do Santos e nos deu o domínio do jogo, nao foi suficiente para “matar” o adversário. Pelo contrario, mesmo com aquele ferrolho, tomamos um gol de cabeça ridículo do anão Neymar e só viramos o jogo quando Felipão resolve user mais ousado taticamente.

Ontem, contra o XV, saímos de campo com vitoriosos e líderes, mas o sufoco que tomamos do fraco time de Piracicaba e, principalmente, a insistência de Scolari de enfiar mais e mais volantes no time, cedendo à pressão do time do interior, nos deixa preocupados. Por que, jogando em casa contra um time menor, Scolari optou por sacar meias de armação e fazer entrar João Vitor e Chico? Em ambos os casos, notamos que, ao invés de fortalecer o meio campo, o resultado foi embolar nossa zaga, ceder o meio campo ao adversário, abrir mão da armação de contra-ataques e ficar submiso a um verdadeiro bombardeio por parte do time do XV.

Ontem deu certo, e para muitos é o que importa. Mas Felipão precisa rever esses conceitos, pois contra adversários de melhor qualidade e em torneios de maior relevância, poderemos pagar um preço bem alto.

Estamos felizes com a liderança, mas preocupados com um esquema tático focado em volantes de contenção. Sem falar na nossa dependência crônica em Marcos Assunção, sempre ele.

Sobre o jogo em si, Artur, o estreante, mostrou fraco desempenho na marcação, o que compensou com o gol da vitória. Vamos dar mais tempo ao rapaz. O mesmo se aplica a Barcos, que jogou meia hora, mostrou boa movimentação e provavelmente será lançado aos poucos por Felipão. Quanto ao frango de Deola, deixem-no em paz – é bom goleiro. Os melhores em campo: Henrique, Carvalho e Assunção.

Barcos, uma incógnita que devemos apoiar

Dadas as circunståncias (pedido do técnico, idade e experiência do jogador, e o fato de ser argentino), achei boa a contratação de Hernan Barcos como novo atacante do Palmeiras. Devido as limitações no mercado e na políitica financeira do clube, foi uma boa escolha apesar de que, se olharmos em seu curriculo, é um jogador que demorou a se destacar apos passar por vários clubes. A torcida vai precisar ter paciência e dar-lhe tempo para se adaptar.

Como Felipão pediu o jogador, espero que desta vez não faça a palhaçada tática que fez com Welington Paulista. Pode ter sido uma escolha melhor do que apostar em jogadores principiantes ou na volta de algum medalhão que já tenha atuado pelo clube (o que recentemente só tem sido motivo de decepção). Precisamos ainda de um meia de qualidade pois Daniel Carvalho está gordo e Carmona ainda é inexeperiente.

Palmeiras e Ajax, 40 anos atrasados

Palmeiras x Ajax da Holanda, amistoso deste sábado, teria sido muito melhor se tivesse sido realizado há 40 anos atrás. Na década de 70, o Palmeiras tinha a Academia de Ademir da Guia e dominava o futebol brasileiro, com um estilo de jogo elegante e competitivo. Na mesma época, o Ajax ganhava tudo na Europa, comandado em campo por Cruyff e no banco por Rinus Michels, revolucionando o futebol mundial. Dois dos melhores times da história.

De lá para cá, ambos os clubes só tiveram alguns momentos de glória na década de 90, quando ganharam torneios continentais, mas a impressão que é vivem mais das glórias do passado do que sucessos do presente.

Nos últimos anos o Ajax construiu sua arena multi-uso, exemplo para a Arena que o Palmeiras está ganhando. Mas a arena por si só não significou o crescimento do clube a nivel continental. Pelo contrario, o Ajax nunca mais teve maior expressao nos torneios europeus. Nesta temporada, apesar de ser o atual campeão holandês (numa liga com apenas 3 clubes de tradição) sequer passou da fase de grupos da Champions League. Virou granja de talentos para os grandes clubes da Inglaterra, Espanha e Italia. Decaiu claramente quando, ao invés de reter as estrelas que revelava, passou a vendê-las rapidamente para fazer caixa.

Quanto a decadência do Palmeiras, não precisavamos nem entrar em detalhes aqui. O clube só é grande ainda graças ao apoio de sua torcida, que compra e consome como nunca.

Interessante é que o Ajax também passa por briga política interna no clube, em que duas alas lideradas por Cruyff e van Gaal, respectivamente, se degladiam numa luta por poder que foi parar na justiça. A diferenca é que esses dois nomes são estrelas consagradas na história do futebol do clube. Enquanto isso no Palmeiras, a briga envolve os Tirones, della Monicas, Contursis, Frizzos, gentinha que nunca ganhou nada pelo Palmeiras. Muito pelo contrário, so tirou do clube.

De qualquer maneira vai ser uma partida interessante, principalmente para quem puder ir ao estádio para assistir à disposição tática dos holandeses, uma vez que os comentaristas brasileiros tem frizado o atraso tático dos clubes e técnicos brasileiros. Fato mencionado até pelo proprio tecnico do Ajax em entrevista em São Paulo esta semana.

Qualquer que seja o resultado, nao deverá significar muita coisa a longo prazo. Lembrem-se que ano passado, contrariando as expectativas, o Verdão começou o ano voando e fazendo a melhor campanha do campeonato regional. Quando chegou agosto, a fragilidade do elenco e a podre estrutura do clube ficaram expostas.

Marcos – sem tristeza

O anúncio da aposentadoria do goleiro Marcos causou tristeza em muita gente, inclusive eu. Mais do que nosso maior ídolo nas últimas décadas (desde Ademir da Guia não tivemos um jogador com tanto carisma), Marcos será lembrado como um jogador de um caráter correto dentro e fora de campo. Alguém que colocou a ética e o coração acima do dinheiro e outros interesses profissionais. Penso que jamais veremos no Palmeiras (ou em qualquer outro clube) outro jogador como Marcos. Que jogador deixaria de ir jogar no Arsenal da Inglaterra para ir defender o clube de seu coração (Palmeiras) na série B do futebol brasileiro?

Pensando com calma, não há motivo para tristeza neste momento. Temos que ficar alegres pelo descanso merecido que nosso santo goleiro merece. Alegria pelo tempo que terá agora para curtir sua familia e amigos. Alegria por ter abandonado o futebol no momento certo, antes que sua forma técnica entrasse em decadência. Quantos profissionais, não apenas no esporte, podem se orgulhar de deixar sua empresa ou seu ramo de trabalho com a cabeça erguida como agora faz Marcos?

Obrigado por tudo, São Marcos! Estamos alegre por você.

Barcelona goleia o Santos e toda a babaquice nacional

O Barcelona deu um vareio no Santos de Neymar. Santos que muitos consideram jogam o melhor futebol do Brasil e da America. Neymar que é considerado o melhor jogador do hemisfério sul. Santos treinado por Muricy, considerado um vencedor e melhor técnico do Brasil. Muricy que, contra um Barcelona de futebol tático extremamente avançado e moderno, acabou escalando seu Santos num retrógrado 3-5-2. Achou que estava disputando um jogo do Brasileirão.

Mais que uma lição para o Santos ou para Neymar ou para Muricy, fica uma lição para todos no Brasil. A começar pela boçal imprensa ufanista, passando por técnicos retrógrados, “professores” ou criadores de “projetos” que engessam seus times com táticas arcaicas. Gente que, como Scolari, só aceita meio campista habilidoso no time se “der carrinho”, jogando no chuveirinho, porrada, fechadinho, “no erro do adversário”.  Futebol brasileiro cheio de “craques”.

A lição maior fica para as categorias de bases. No Brasil, são descuidadas ou, como no caso do Palmeiras, controladas por empresários, conselheiros, amigos de diretores, gente que não entende nada de futebol. É ali, na base, que o guri aprende e aprimora o toque de bola, o passe, o dominio, a finta, como se faz na escola do Barça. Mas é ali que nossos “técnicos” enfatizam a porrada, o carrinho, o marcar em cima, o chutão.

Lição tambem para a torcida brasileira deixar de ser babaca e atrasada. Parar de aplaudir zagueiro ou volante que limpa a jogada com chutão ou carrinho. De valorizar jogador que corre muito, marca duro e só dá passe errado.

Sabem quantos jogadores vindos da base o Barcelona tinha no time titular hoje? NOVE. Sem falar o técnico. Que era da base tambem.

Ainda bem que existe o Barcelona. Porque se fôssemos depender dos Muricy’s, dos Tites, Scolaris, Luxemburgos, Mourinhos, Tirones, Teixeiras, Galvão Buenos, Casagrandes, Milton Leites, Rivaldos, Gerleys, Joao Vitors, Chicão, … – o futebol já estaria na sepultura.

Corinthians campeão. Palmeiras, 11o. Diretas já!

CHEGA! BASTA!

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